Federação Paranaense de Basketball entrevista Luiz Antônio Rodrigues Neto, técnico da ASPA de Ponta Grossa e Colégio Sepam

O entrevistado de hoje no site da Federação é o Professor Luiz Antonio Rodrigues Neto,  conhecido como Passoka por todos no meio do basquetebol.

Técnico multi campeão nas categorias de base e escolar, Passoka hoje comanda a ASPA, de Ponta Grossa, além de ser treinador e professor do Colégio SEPAM.

Conhecido por seu grande carisma com os atletas e técnicos, Passoka tem como destaque títulos importantes nos Jogos Escolares do Paraná e também atuações muito boas como técnico da Seleção Paranaense , onde chegou a ser vice campeão brasileiro Sub16.

 

1 – Qual seu nome e origem? E quando e onde começou o basquete na sua vida? Quando começou com a carreira de técnico?

R: Meu nome é LUIZ ANTONIO RODRIGUES NETO, o PASSOKA. Sou natural de PONTA GROSSA, onde me formei na UEPG em 1983.

Por não ter sido atleta, minha carreira iniciou na universidade ainda, quando, ela era paga, e eu participava de um projeto de bolsa, trabalho e esportes para amenizar as mensalidades. O curso era totalmente TECNICISTA e cada um acabava descambando para uma modalidade. Então em 1982, montei minha primeira equipe, no COLEGIO SENADOR CORREA , participando dos JOGOS ESTUDANTIS DA PRIMAVERA daquele ano.

 

2 – Quais foram seus principais títulos? (FPRB, Jogos Oficiais do estado etc).

R: Minha carreira foi sempre dentro do basquetebol ESCOLAR, com algumas inserções em competições interclubes. Títulos importantes:

Tri campeão paranaense escolar classe B masculino. – 2003, 2007 e 2008

Algumas boas participações em outras edições e outras classes e sexo.

Fomos vice campeão da Olimpíada Escolar Brasileira, em Brasília em 2003.

Participação em Jogos Escolares Brasileiros em 2001 – feminino.

Na FPrB são quase 22 anos de participação, com títulos no naipe masculino e feminino.

Como técnico de Seleções Paranaenses masculino e feminino, conquistei um vice campeonato brasileiro com a categoria 89, em São João Del Rei em 2005.

 

3 – Trabalha com masculino e feminino? E por que não trabalha com a outro gênero? Se trabalha com os 2, qual a principal diferença?

R: Atualmente trabalho com o feminino, mas já trabalhei com masculino e com os dois naipes juntos, dentro da Escola, e com seleções municipais com participação em Jogos Oficiais do Estado.

Vejo como a principal diferença entre os dois gêneros, a capacidade de jogar em grupo das meninas, e a auto suficiência dos meninos. Em cada um deles o ponto fraco deve ser estimulado diariamente.

 

4 – Você trabalha sozinho ou tem alguma equipe de Comissão Técnica trabalhando junto?

R: Por trabalhar no BASQUETE ESCOLAR sempre trabalhei sozinho na quadra e com apoio de uma EQUIPE PEDAGOGICA, ao invés de EQUIPE TECNICA.

5 – Quais as dificuldades que você encontra para o trabalho de hoje em dia? Está melhor do que quando começou?

R: Nesses quase 22 anos foram poucas as mudanças dentro do trabalho e dentro do jogo. Acho que as crianças estão cada vez mais fechadas dentro de um quarto e isso interfere muito na descoberta de novos jogadores e no relacionamento interpessoal. Hoje o tratamento entre técnico x atleta está mais informal e até mais cordial. Já vi técnicos agredindo fisicamente atletas. Hoje isso se abomina.

 

 

6 – Quais as dicas que você tem para o atleta que está começando hoje? E para os técnicos novatos, quais as dicas/sugestões?

R: Dicas, não sei se o que faço se encaixa em muitas formas de trabalho, mas comigo dá certo: deixo as coisas ruins, como mão débil, posicionamentos defensivos, suicídios, para depois. Prefiro a ludicidade, não a crueldade. Dentro dos limites aceitáveis pela equipe, lembrando, trabalho no basquete escolar, onde não escolho e nem contrato atletas. Ensino aos que aparecem e preciso que eles voltem. com esse modus operandis, sempre tenho muitos treinando.

 

7 – Vamos aprofundar mais nosso assunto. O técnico ao longo da sua carreira vai criando uma filosofia de jogo própria. Fale um pouco de como você organiza seu time no ataque. O que é importante para você que o atleta aprenda na sua filosofia?

R: Sempre trabalho com 3 ou mais equipes durante o ano. Meus minutos de treinos são menores que nos clubes e sempre disputo atletas com outras modalidades. Mas criei algumas coisas dentro de uma filosofia: cada equipe tem uma filosofia própria que nasce com ela. Mais forte x mais lenta , mais técnica x mais abnegada…por ai vai… existem técnicos, que dentro das suas soberbas, querem passar a sua filosofia para a equipe. Eu acho que cada equipe tem o seu jeitão. E o bom técnico trabalha com isso. No ataque dou 5 caminhos para o atleta e ele escolhe o que acha mais viável. O craque escolhe sempre o melhor caminho. Os outros vão se batendo.

 

8 – E na defesa? O que você prega para sua equipe? Se algum outro técnico olhar sua equipe defendendo, como você acha que ele descreveria seus sistemas defensivos?

R: Acredito que cada atleta vem dotado de algumas inteligências. Alguns para defender outros para atacar. O bom defensor é o que antecipa o ataque. Isso pode ser trabalhado com mais ênfase na base. Ao invés de pernas e suicídios, trabalhar as tomadas de decisão. Geralmente o bom atacante tem boas atitudes na defesa. Meu sistema de defesa pode ser definido como natural, com desenhos de 1×1 e alguns posicionamento de ajuda, quando a minha equipe permite que se chegue lá, e a arbitragem não estrague tudo hehehee

 

9 – Nós técnicos, muitas vezes nos pegamos fazendo auto críticas, importantes para nosso próprio desenvolvimento. Qual teu ponto fraco, ou mais débil? Enxerga alguma falha que pensa ter que mudar para evoluir mais?

R: Vejo como meu ponto forte a naturalidade com tento tirar o melhor de cada atleta, sem pressão de nenhum tipo, pois já basta as normais de um jogo. Falar de pontos fracos faltaria espaço na página, mas acho que não temos tempo hábil para desenvolver uma equipe dentro do basquetebol escolar e de base e quando você relaxa nessa justificativa seu trabalho começa a decair.

 

 

10 – Qual seu técnico guru, aquele que você se espelha ou tenta obter a maior quantidade de ideias?

R: Trabalhei com muitos técnicos bons. Tenho muito orgulho de alguns que cresceram muito na carreira, saindo da base para o adulto, com participações em nível nacional como DANIEL LAZIER, BRUNO LOPES, CARLOS MAGNO, MILOSLAV. També admiro demais o trabalho da Profª FABIOLA.  Mas converso muito com JOSE ABEL, que poderia ser melhor aproveitado, pois tem muita visão de jogo moderno. E um técnico que está fora da federação faz tempo e que talvez seja o melhor de todos, para mim é o FLAVIO BONILHA, de Maringá. Como projeto sempre acompanho e admiro a dupla de Cambé – SAULO E TIM.